Diário de Bordo: Alter do Chão

 

📓 Diário de Bordo — Alter do Chão

Santarém, Pará | Agosto de 2026

Alter do Chão foi uma viagem de rios que parecem mar, praias de água doce, floresta, comida amazônica, pôr do sol — muitos pores do sol — e também alguns bons perrengues pelo caminho. Uma viagem em que a própria paisagem muda conforme o nível das águas e em que boa parte da experiência depende do ritmo da natureza.

Quanto custou a viagem?

Agência: Girls Go 

Passagens aéreas

R$ 1.681

Pacote (guia + hospedagem + passeios para 3 dias)

R$ 4350

Passeio extra (Rio Arapiuns)

R$ 200

Alimentação

R$ 1145,40

Total da viagem

R$ 7.376,00

Foram seis dias de viagem.


✈️ Dia 1 — A longa viagem até Alter do Chão



A viagem começou no sábado, saindo de casa por volta das 11h.

Chegar a Alter do Chão exige uma pequena via-sacra de deslocamentos. Saí de São José dos Campos com destino ao Aeroporto de Guarulhos e aqui já fica uma dica que facilita muito a minha vida sempre que viajo: vale a pena pesquisar se existe, na sua cidade, algum ônibus que vá diretamente para dentro do aeroporto.

Em São José dos Campos existe. Eu costumo utilizar o ônibus da Pássaro Marrom, que me deixa dentro do Aeroporto de Guarulhos, evitando mais um deslocamento.

De Guarulhos, seguimos de avião para Brasília. Como não tínhamos voo direto até Santarém, fizemos uma escala de aproximadamente três horas no aeroporto de Brasília e, de lá, pegamos o segundo voo.

Chegamos a Santarém pouco depois das 3h da manhã.

Ainda faltava o último trecho: uma van nos buscou no aeroporto e seguimos por aproximadamente 40 minutos até Alter do Chão.

Ou seja: sábado foi, basicamente, um dia inteiro dedicado a chegar.

Cansativo? Bastante.

Mas finalmente estávamos na Amazônia.


🏝️ Dia 2 — Ilha do Amor e Floresta Encantada



Nosso primeiro dia de verdade em Alter do Chão começou por um dos lugares mais conhecidos da região: a Ilha do Amor.

Uma das coisas interessantes daqui é perceber como tudo depende do ciclo das águas. A paisagem muda conforme os rios sobem e descem e, por isso, a época da viagem faz bastante diferença.

Agosto me pareceu uma época excelente: a água não está tão alta a ponto de esconder completamente as faixas de areia, nem tão baixa. Na Ilha do Amor, por exemplo, encontramos uma quantidade muito boa de areia e conseguimos aproveitar tranquilamente os restaurantes instalados por ali.

Para chegar à ilha, pegamos uma pequena canoa conduzida pelos moradores locais. A travessia dura poucos minutos e pagamos R$ 10 para quatro pessoas — R$ 2,50 por pessoa.

Passamos toda a manhã por ali.

E aqui começou também nossa experiência com a gastronomia de Alter.

A maioria dos lugares em que comemos durante a viagem serve pratos muito bem servidos. Um prato consegue alimentar tranquilamente quatro pessoas. Os peixes são enormes: filhote, pirarucu, surubim, tucunaré… carnes mais firmes, filés muito grossos e, de maneira geral, tudo extremamente bem temperado.

Depois seguimos para a Floresta Encantada.




Esse é um daqueles passeios que a natureza decide se você poderá ou não fazer.

Quando a água está muito alta, só é possível enxergar as copas das árvores. Quando está baixa demais, já não é possível entrar de barco. Tivemos sorte de encontrar uma condição muito boa.

Entramos em pequenas canoas, com cerca de quatro passageiros e o barqueiro, e seguimos por dentro da floresta.

É um lugar extremamente contemplativo.

Silencioso.

Talvez essa seja uma das coisas mais bonitas do passeio: durante alguns momentos, não existe muito o que fazer além de olhar.

Nosso barqueiro era tupinambá e, durante o percurso, foi contando histórias da região e compartilhando um pouco daquele território conosco. Isso tornou a experiência ainda mais interessante.

Terminamos o dia jantando no Mãe Natureza, no centro de Alter do Chão.

Uma coisa que percebi rapidamente é que a culinária regional está realmente presente por aqui. Não é tão comum encontrar aquela comida cotidiana que poderíamos pedir em qualquer cidade. Os sabores são diferentes, muito próprios da região — e, de maneira geral, muito gostosos.


🌊 Dia 3 — Praias de água doce, Pindobal e o pôr do sol





No terceiro dia fomos conhecer algumas das praias da região.

E talvez uma das sensações mais curiosas de Alter do Chão seja justamente esta: estar em uma praia e entrar em uma água completamente doce.

Visualmente, a experiência é de praia: areia, água, barracas, aquele clima de passar horas à beira d'água. Só que são praias formadas pelos rios.

E não tem sal.

É maravilhoso.

Uma experiência muito gostosa e diferente.

Paramos na Praia do Pindobal, que possui uma infraestrutura muito boa para quem quer passar algumas horas, almoçar e descansar.

Ficamos aproximadamente três horas por ali.

Depois seguimos para a Ponta do Muretá, onde assistimos ao pôr do sol.

E os pores do sol daqui realmente merecem espaço próprio na viagem.

Conseguimos acompanhar o sol descendo e as cores que vão se formando no céu e refletindo na água são magníficas. Foi lindo.

À noite fomos conhecer o Ty, um dos restaurantes mais hypados de Alter do Chão.

E aqui entra uma opinião bastante pessoal: para nós, não valeu o hype.

Foi uma das experiências gastronômicas de que menos gostamos durante a viagem. Diferentemente de praticamente todos os outros lugares, os pratos são pequenos e caros. Além disso, o tempo de espera chegou a aproximadamente uma hora ou uma hora e meia e tivemos problemas com o atendimento e com os pedidos.

Eu, obviamente, pedi ceviche.

Tenho uma tradição particular: se eu estiver em algum lugar e houver ceviche no cardápio, preciso experimentar.

O ceviche de lá leva banana-roxa e, para mim, a combinação das texturas simplesmente não funcionou. Comi, mas definitivamente não entrou para a lista dos meus favoritos.

Considerando tudo o que experimentamos durante a viagem, encontrei opções mais interessantes, mais bem servidas e mais baratas em Alter.


🌿 Dia 4 — Canal do Jari, vitória-régia e Ponta do Cururu

O quarto dia foi dedicado ao passeio conhecido como Canal do Jari.

Uma das paradas foi o Jardim da Vitória-Régia, cultivado pela Dona Dufi.

Infelizmente, a seca de 2024 afetou muito o jardim e as vitórias-régias secaram. Por isso, atualmente ele não está tão cheio quanto já foi no passado. Ainda assim, conseguimos conhecer e observar as plantas.

E a experiência não fica apenas na contemplação.

No restaurante existe um menu degustação preparado utilizando diferentes partes da vitória-régia. Experimentamos várias iguarias e eu, particularmente, gostei de todas. Achei tudo muito saboroso.

Depois seguimos para outro ponto do passeio para observar os animais.

Vimos cobra, macacos e até bicho-preguiça com filhotinhos.

Mas meus preferidos foram os macaquinhos de mão-amarela, que descem para pegar banana diretamente da nossa mão.




Foi uma delícia.

Outra curiosidade interessante desse passeio é que o percurso muda conforme o nível das águas. Em períodos de cheia, algumas partes podem ser percorridas de barco. Como a água já havia escoado quando estivemos lá, fizemos esse trecho caminhando.

Nesse mesmo dia almoçamos na Casa do Saulo, um restaurante bastante famoso da região e também um dos lugares em que mais gastamos durante a viagem.

Resolvi experimentar uma comida típica e pedi pato no tucupi.

Não foi para mim.

Achei a carne muito forte e o arroz veio al dente, uma textura de que também não gostei muito. Valeu pela experiência de provar um prato tradicional, mas não seria algo que eu pediria novamente.

Terminamos o dia na Ponta do Cururu, assistindo a mais um pôr do sol maravilhoso.

E eu poderia facilmente me acostumar a terminar todos os meus dias assim.


🚤 Dia 5 — Rio Arapiuns, Reserva da Coroca e o último pôr do sol




No último dia, o grupo tinha duas possibilidades.

Uma delas era fazer o passeio pela FLONA, com aproximadamente 10 quilômetros de caminhada mata adentro para conhecer uma árvore de cerca de 600 anos e, depois, tomar banho de igarapé.

Eu queria alguma coisa mais tranquila.

Então escolhi o passeio pelo Rio Arapiuns.

Em teoria, seria a opção tranquila.

Na prática… não foi exatamente assim.

O dia estava com muito vento e tanto a ida quanto a volta de barco foram bastante difíceis. O barco balançava, batia muito e entrava bastante água. Para mim, foi realmente muito ruim.

Quando chegamos à Reserva Extrativista da Coroca, onde conheceríamos atividades como a apicultura e a criação de tartarugas, eu já estava passando mal por causa da travessia.

Ainda assim, achei a proposta do lugar muito interessante.

Pagamos R$ 70 e eles prepararam o almoço para o grupo: arroz, feijão, salada e peixes da região, entre eles surubim, tucunaré e tambaqui.

E olha a ironia: depois de conhecer restaurantes famosos e provar vários pratos diferentes durante a viagem, esse foi um dos almoços de que mais gostei.

Simples, regional e muito gostoso.

Depois conhecemos outras praias ao longo do passeio pelo Arapiuns.

E então chegou a hora de encerrar a viagem.

Voltamos à Ponta do Cururu.

O mesmo lugar em que já havíamos assistido a um pôr do sol durante a viagem acabou se tornando também o cenário do nosso último.

E acho que não poderia existir um encerramento mais apropriado para Alter do Chão.

Depois de tantos rios, praias de água doce, floresta, canoas, peixes, animais, sabores novos, deslocamentos e até alguns bons perrengues, terminamos simplesmente olhando o sol desaparecer sobre as águas.

Alter do Chão é uma viagem muito ligada ao ritmo da natureza.

A água determina o que você verá.
O nível dos rios transforma os passeios.
A época do ano modifica completamente a paisagem.

E talvez seja justamente isso que torne esse lugar tão especial.

Você não conhece apenas Alter do Chão.

Você conhece Alter do Chão naquele momento específico da Amazônia.

E nós tivemos a sorte de conhecer o nosso em agosto de 2026. 🌿🌅

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