Diário de bordo: nossas férias nos Lençóis Maranhenses com muitos perrengues, calor e paisagens surreais




 Essa foi a segunda viagem de férias do ano com as crianças. Eu tenho uma tradição comigo mesma de tirar quatro férias por normalmente duas com as crianças e duas sem eles, criando memórias, vivendo experiências novas e tentando, dentro do possível, fazer algo diferente.

Dessa vez escolhemos passar o Dia das Mães nos Lençóis Maranhenses.

E eu posso resumir essa viagem em:
muito calor, estrada horrível, pouca estrutura, paisagens absurdamente lindas e muitos perrengues. 😅

Mas também foi uma das viagens mais diferentes e gostosas que já fizemos.

Quanto custou a viagem?

Antes de começar o diário propriamente dito, vou deixar aqui os gastos totais porque sei que isso ajuda MUITO quem está planejando viajar.

Passagens aéreas

R$ 4.143

Hospedagens

(Barreirinhas + São Luís)
R$ 1.640

Ônibus e translados

(São José → Guarulhos + Barreirinhas → São Luís)
R$ 678

Uber

R$ 220

Passeios

R$ 1.300

Alimentação

R$ 2.546

Total da viagem

R$ 10.557

Foram seis dias de viagem.


Dia 1 — O translado infinito




O primeiro dia foi um caos absoluto. 😅

Saímos de casa às 9 horas da manhã e praticamente passamos o dia inteiro em translado.

Pegamos:

  • Uber até o Posto da Gruta
  • ônibus da Passaro Marron até Guarulhos
  • voo até São Luís
  • uber até a Rodoviária de São Luís
  • omibus até Barreirinhas

E aí começou o primeiro grande perrengue.

Eu simplesmente não tinha me atentado ao fato de que Barreirinhas fica cerca de quatro horas de São Luís. E pior: eu deveria ter comprado esse translado antecipadamente.

Quando chegamos em São Luís já eram seis horas da tarde e a última van para Barreirinhas tinha saído às cinco e meia.

Ou seja: perdemos o translado.

A solução foi pegar um Uber até a rodoviária e ir de ônibus.

E aqui preciso dizer uma coisa: chamar aquilo de rodoviária talvez seja generosidade. 😅

Barreirinhas é MUITO pequena. Acho que menor que um bairro de São José dos Campos. A infraestrutura é praticamente zero.

Pegamos o ônibus e começou mais um perrengue.

As estradas dos Lençóis Maranhenses são horríveis. Muito esburacadas, muita areia, muito tranco. E no meio do caminho o ônibus simplesmente quebrou, teve seu pneu rasgado.

Uma viagem que deveria durar quatro horas durou seis.

Chegamos na pousada às duas horas da manhã completamente destruídos.

E ainda descobrimos que eles tinham preparado o quarto achando que seria só eu, não eu com as crianças. Então faltava toalha, roupa de cama, basicamente tudo.

Mas naquele momento ninguém tinha mais energia para reclamar.

A gente simplesmente dormiu.


Dia 2 — Os Lençóis de Barreirinhas







Depois do caos do primeiro dia, finalmente começaram as férias de verdade.

Logo na chegada conhecemos o Josélio, um taxista super solícito que acabou virando praticamente um anjo da viagem. Foi com ele que fechamos todos os passeios.

Os três roteiros para nós três ficaram em R$ 1.300:

  • Lençóis de Barreirinhas
  • Santo Amaro
  • Rio Preguiça

Acabei deixando Atins de fora porque descobri que nessa época do ano o povoado literalmente fica debaixo d’água.

E aqui vai uma curiosidade importante: nos Lençóis Maranhenses praticamente só existe Hilux.

Segundo os moradores, é o único carro que aguenta as estradas dali.

E sinceramente? Depois de passar por elas, eu acredito.

Nosso primeiro passeio foi para a Lagoa Bonita.

A ida é feita em Hilux adaptada para turismo. Na frente vai a cabine com ar-condicionado e atrás uma espécie de mini ônibus aberto na caçamba.

Por sorte eu e as crianças conseguimos ir na parte interna.

E isso fez MUITA diferença.

A estrada parece mais areia no meio do mato do que estrada propriamente dita.

O calor do Maranhão também é surreal. Em pesquisas descobrimos que a temperatura mais fria já registrada no estado foi 14 graus ou seja uma tarde comum de inverno em SJCampos. Por lá é sempre muito calor.

Nesse dia a sensação térmica estava em torno de 35 graus.

Mas o tempo estava nublado e isso ajudou muito.

Quando chegamos aos Lençóis parece que você entra em outro planeta.

De um lado mata e rio. Do outro dunas infinitas.

A areia é tão fina e branca que parece açúcar de confeiteiro. E o mais impressionante: ela não esquenta. Mesmo com calor absurdo.

A água das lagoas é cristalina, refrescante e muito gostosa. Não fica aquela sensação grudenta de praia porque é água doce.

As crianças se divertiram muito.

Depois descemos até um pequeno povoado onde vendiam pastel, refrigerante e cafezinho.

E ali começamos a experimentar os sabores típicos da região:

  • cupuaçu
  • buriti
  • graviola
  • açaí

Eu e o Dam amamos cupuaçu.

À noite fomos ao centrinho de Barreirinhas, que é minúsculo, e acabamos numa pizzaria indicada pelo Josélio.

Mas a pizza era bem massuda e demorou bastante.

Foi aquele clássico: “comemos porque estávamos com fome”. 😅


Dia 3 — Santo Amaro e as lagoas mais lindas da viagem





No terceiro dia fomos para Santo Amaro.

E mais uma vez: estrada horrível.

Nós, que somos acostumados com Dutra, Ayrton Senna e Carvalho Pinto, levamos um choque quando pegamos estradas assim em outros lugares do Brasil.

Muito buraco, muito tranco, muita areia.

O translado foi numa van e ainda tivemos o azar de pegar um homem folgado na frente da Sophie que praticamente deitou o banco inteiro.

Resultado: uma hora e meia de desconforto absoluto.

Sinceramente? Não recomendo esse tipo de passeio para grávidas ou quem está com bebê de colo.

Os lugares são maravilhosos, mas o translado é extremamente cansativo.

Quando chegamos em Santo Amaro pagamos uma taxa de turismo de R$ 10 por pessoa e seguimos novamente nas Hilux.

A diferença é que em Santo Amaro os carros deixam a gente praticamente na beira das lagoas.

E as lagoas de Santo Amaro foram as mais lindas da viagem inteira.

Elas parecem pequenos oceanos. Algumas nem dão pé.

A água era azul, cristalina e deliciosa.

E talvez por ainda ser baixa temporada, tudo estava vazio, tranquilo e muito gostoso.

Depois fomos de barco até um povoado ribeirinho para almoçar.

Aqui tivemos um pequeno desafio gastronômico porque a culinária local é muito baseada em frutos do mar, peixe, carne seca e carne de sol.

E nem eu nem as crianças gostamos muito dessas opções.

Acabamos pedindo um bife acebolado que, para minha surpresa, estava maravilhoso.

Outra coisa impressionante é o tamanho dos pratos.

É MUITA comida.

Mesmo nós três comendo, ainda sobrava.

Depois fomos para outra lagoa.

E essa foi provavelmente a experiência mais gostosa da viagem inteira.

Não tenho palavras para descrever aquele lugar.

A volta, no entanto, acaba com qualquer ser humano. 😅

Chegamos tão cansados na pousada que pedimos lanche pelo telefone mesmo — porque lá também não tem iFood — e fomos dormir.


Dia 4 — Rio Preguiça e os macaquinhos ladrões




No quarto dia eu ainda estava em dúvida entre fazer Atins ou o passeio do Rio Preguiça.

Mas depois de ouvir que Atins estava praticamente debaixo d’água, resolvemos fazer o Rio Preguiça.

O passeio sai de um pequeno porto às margens do rio.

E a primeira parada foi em Vassouras, no famoso Barracão da Graça.

Ou melhor: no lugar dos macaquinhos ladrões. 😭

Eles são MUITO fofos, mas roubam comida de verdade.

Inclusive abriram bolsa de turista enquanto estávamos lá.

Eu e o Dam perdemos nossos geladinhos para os macaquinhos e ele ficou encantado porque eles subiram nele e pegaram comida da mão dele.

Depois seguimos para Mandacaru, onde fica um farol com 167 degraus.

Minha coxa dói até hoje. 😅

Mas a vista compensa completamente.

Depois fomos almoçar em Caburé.

Ali o encontro entre rio e mar deixa a paisagem surreal.

A infraestrutura do restaurante foi a melhor que vimos durante toda a viagem.

Banheiro limpo, organizado e funcionando — o que depois de alguns dias ali vira luxo. 😅

Também andamos de quadriciclo e deixaram o Dam pilotar.

Ele ficou realizado.

Esse foi o dia mais quente da viagem inteira. Sensação térmica facilmente perto dos 40 graus. Sol a pino

À noite pedimos outra pizza.

E dessa vez estava maravilhosa:
massa fininha, muito gostosa e feita com queijo gouda.

Finalmente uma vitória gastronômica. 😅


Dia 5 — São Luís e a despedida




No quinto dia decidimos dormir em São Luís antes de voltar para casa.

E aqui preciso dizer: a pousada de Barreirinhas realmente me decepcionou bastante.

Apesar dos funcionários serem acolhedores, faltava muita estrutura:

  • quarto muito quente
  • chuveiro ruim
  • café da manhã improvisado
  • sem televisão
  • sem piscina, apesar das fotos indicarem que teria

Eu teria escolhido outro lugar se soubesse.

Depois de mais quatro horas de estrada chegamos em São Luís.

E aí sim parecia um hotel de verdade.

Ficamos numa pousada de frente para o mar, com estrutura muito melhor.

Almoçamos na Praia do Caolho e a comida estava maravilhosa:

  • salmão
  • filé mignon
  • alcatra
  • salada tropical enorme

Depois as crianças entraram na água da praia, mas rapidamente começaram a se coçar e ficar vermelhas.

Então definitivamente não recomendo banho ali. 😅

À noite fomos conhecer o centro histórico de São Luís, na famosa Rua do Giz, patrimônio da UNESCO.

Mas era segunda-feira.

Resultado:
tudo fechado, vazio e escuro.

Acabamos jantando no restaurante Vinagreira, onde as crianças finalmente experimentaram carne de sol e carne seca.

Gostaram.

Eu continuo não gostando, rs

A Sophie ainda fez o tererê que ela queria tanto e então encerramos oficialmente nossa viagem.


Dia 6 — Volta para casa



No sexto dia foi só a volta.

Saímos do hotel cedo, pegamos um Uber até o aeroporto e começamos nossa jornada de retorno às oito e meia da manhã.

Chegamos em casa por volta das seis da tarde.

Foi uma viagem cansativa, quente, cheia de perrengues e com pouca estrutura.

Mas também foi uma viagem linda.

Os Lençóis Maranhenses realmente parecem outro planeta. Não existe em outro lugar do mundo algo parecido com lençóis (isso já foi constatado), ele ficou sendo meu Top 4 (sendo Fernando de Noronha 1, Jalapão 2, Bonito 3) é um lugar lindíssimo mas de difícil acesso e é algo particular; não gosto de repetir lugares pois na minha cabeça existe um mundo muito grande e uma vida muito curta para eu gastar com lugares repetidos então não sei se voltaria, embora tenha ficado faltando Atins...quem sabe um dia?

E apesar de todos os problemas, viver tudo isso com as crianças fez valer completamente a pena. 🤍


Dam deu nota 9 para viagem / Sophie nota 10 

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