A primeira vez depois de divorciada
Nunca vi nenhum relato sobre esse evento mas tenho certeza que toda mulher divorciada deve viver; O PRIMEIRO ENCONTRO PÓS DIVÓRCIO...creio que seja um evento canônico na vida das divorciadas, quase como uma nova primeira vez cheia de expectativa e dúvidas, principalmente para mulheres que tenham vivido longos relacionamentos.
E esses dias do nada me peguei lembrando como foi o meu...que agora já faz mais de 9 anos, agora já sou uma dessas solteironas convictas, que já pegou o gosto pela coisa, reaprendeu a estar na pista e já tem encontros com a mesma naturalidade que se toma banho. Mas há 9 anos, após sair de um relacionamento de 10 e eu ainda peguei uma fase transitória de mundo completamente analógico para a digitalização da putaria, o início do Tinder quando ainda estávamos aprendendo o que era isso e não tínhamos nem como comparar ao Ifood de gente pois nem Ifood existia...e é muita coisa diferente, pois quando se sai de um casamento toda aquela chatice da vida de casada já faz parte da rotina, ficar respondendo mensagens idiotas de onde estamos, o que estamos fazendo, pedidos de passar em mercado ou farmácia e qualquer uma dessas trivialidades que eu não tenho a menor saudade e do nada, estamos num mundo de "amores líquidos", sexo sem compromisso, aplicativo para sacanagem, fotos de agora e uma enxurrada de homens aleatórios.
Pois bem foi nesse cenário que me vi em 2016... ainda assimilando o divórcio, vez que não participei da decisão, só fui comunicada que aconteceria pois segundo meu ex eu não era mais mulher mas apenas uma mãe sem graça. Talvez fosse por ter dois filhos na primeira infância e nenhuma ajuda dele, acho que ter uma criança de 4 e uma de 2 demandando 24 horas da nossa atenção nos deixe "levemente" com cara de mãe e sem aquele "brilho no olhar" mas homem né meninas? Esperar o quê?
E depois de uma década sem conversar com minha amiga, estranhamente após o casamento de ambas... nós duas estávamos igualmente divorciadas; então como se não tivesse passado nem um dia de nosso último contato perguntei se eu poderia ir dormir na casa dela para colocarmos o assunto em dia.
Cheguei lá com uma garrafa de vinho e 10 anos de novidades, conversamos muitoooo atualizamos todas as fofocas e começamos a relembrar nossa adolescência e todas as loucuras que fazíamos. Até que começaram a surgir alguns nomes em nossa cabeça, no auge do facebook e decidimos procurar alguns desses nomes por lá e rapidamente encontrei um de meus rolos adolescente. Um cara que sempre foi muito convencido pois todas as meninas caíam matando nele, mas eu e ele embora nunca tivéssemos vivido nada sério ficamos algumas vezes e um dia simplesmente perguntei pra ele se ele queria "ir pra casa de uma amiga comigo" ...sim, assim do nada. Vivia me dando esses 5 minutos e eu simplesmente fazia o que me dava vontade e nesse dia marcamos (lá quando eu tinha meus 19 anos...)
Vou ter que fazer um adendo aqui pra esse acontecimento...; com 17 anos eu estava procurando casa pois queria sair logo da casa dos meus pais pois realmente era um inferno mas no final das contas após algumas fugas, eu morei com meus pais até casar (com 26) mas lá nos 17 acabei conhecendo uma moça, que também tinha problema com os pais e começamos a conversar por algum grupo do facebook e até chegamos a cogitar morarmos juntas para dividir o aluguel. Mas ela teve muito mais coragem que eu, alugou uma casa e nesse momento era uma adolescente morando sozinha... o que a Stéphanie pensou? E se eu usasse sua casa de motel? (sério fico pensando da onde surgia umas ideias tão sem nexo da minha parte e o pior, as pessoas ainda davam confiança)
Pois bem e foi isso que aconteceu... marquei com esse cara, que nem era um ficante fixo... era um cara que eu achava muitoooo bonito e ficava uma vez na vida e outra na morte. Sabe aqueles casos (que só era possível antigamente pois hoje com rede social essa incerteza não é tão comum) mas antigamente tinha uns caras que nem nosso número de telefone tinham, até porque ligar pra celular era imensamente caro e SMS era pra íntimos, o que definitivamente eu não era dele mas que sempre que nos encontrávamos em uma balada rolava...uma beijo aqui, outro al. Íamos pras baladas esperando encontrar "tal pessoa" mas não tínhamos como saber se iria acontecer, até chegar na balada. Sem status, stories...apenas com a cara e a coragem. Nem lembro como fiz esse convite tão aleatório... mas fiz, lembro que ele ainda me ligou de um orelhão para confirmar e assim foi nossa primeira vez juntos, nem precisa dizer que foi terrível né?
Na verdade hoje...com praticamente 40 anos, olho pra trás e acho que pelo menos até uns 20 anos eu não sabia transar e sim "brincava" de sexo. Eu performava cenas que tinha visto em filmes aleatórios mas definitivamente, era qualquer coisa menos sexo. E assim foi... um sexo bem mequetrefe, na cama da minha amiga completamente legal que deixou uma doida (no caso eu) fazer a casa dela de motel. Lembro ainda que era um dia que eu tinha juri simulado na faculdade, um negócio super importante que eu estava me preparando ha meses... e esse encontro aleatório no meio da tarde, só iria atrasar todo rolê. E para que desse tempo, fui arrumada...tipo vestida "de advogada" e quando o cara chegou lá (um cara que eu não tinha a mínima intimidade só tinha ficado algumas vezes em algumas baladas) falou; NOSSA PORQUE VOCÊ TÁ COM ESSA ROUPA? Foi terrível gente...e depois disso ainda vi ele algumas vezes em algumas baladas mas todo mundo casou , parou de ir em balada e lá estávamos nós ambos divorciados.
Descobri isso pelo facebook, naquele dia na casa da minha amiga... sabia que ele tinha casado mas pelo facebook provavelmente o casamento também não tinha dado certo como o meu. E assim curti umas 10 fotos dele, para ele me "notar" e deu certo...logo me chamou no messenger e começamos a conversar, ele me contou que divorciou e bla bla bla e assim resolvemos marcar de nos ver novamente.
É horrivel tentar lembrar coisas da época que eu bebia, pois lembro "cortes"...nunca consigo lembrar eventos inteiros ou com riqueza de detalhes. Lembro flashs meio desconexos... mas lembro que marquei de ir na casa dele. Assim com a maior naturalidade, que nem eu tinha ido na casa da minha amiga depois de tanto tempo...ué se deu certo com ela, porque não daria com ele? Mas fiquei muitooooo nervosa, afinal eu só tinha transado com ele uma vez e há muito tempo atrás quando eu ainda era adolescente. Nunca havíamos conversado coisas profundas, pois antes da transa só ficávamos em baladas e além de tudo isso... por uma década havia transado só com uma pessoa, estive casada e vivi todo o script de família margarina que não tinha nada em comum com a vida de solteira.
Cheguei lá e estava muitoooo nervosa... lembro que saí como se estivesse fazendo algo de errado. Era um final de semana que meus filhos ficariam com o pai e bem no começo, então eles iam pro pai no sabado umas 9 e voltavam domingo umas 19 (hoje vao sexta e voltam segunda, ou seja tenha um final de semana inteiro) . Passei, comprei cerveja e cheguei lá, já alegrinha. Lembro que nesse dia conversamos tudo que não havíamos conversado desde que nos conhecemos e depois de 18 anos finalmente conhecia ele um pouco mais a fundo e ele a mim, depois transamos...num bréu... lembro isso até hoje, o quarto dele é aquele escuro que você não consegue enxergar nem mesmo seu pensamento. Simplesmente não dá pra ver nada e não tem nem uma luzinha para quebrar a escuridão. Mas transamos, um sexo igualmente mequetrefe que o de quando eu tinha 19 anos. Até hoje não entendo porque esse cara não transa direito...transa no bréu, não muda de posição... é pessimo. Dormi lá... acordei com uma daquelas ressacas homéricas, que dá vontade de desaparecer e só ressurgir depois de uma semana. Ele acordou (mas não queria... ele sempre foi muito noturno) mas fez café e meio sem graças com cara de "ontem" nos despedimos.
O depois gente foi HORRÍVEL...pois eu não sabia como funcionava o sexo casual entre adultos. Eu ja não era uma adolescente, já tinha meus quase 30 e como deveria agir? Mandava mensagem? Não mandava? A gente ficaria de novo, não ficaria? Como isso funcionava? Lembro que me gerou muita ansiedade... mas acabamos ficando várias outras vezes, fui aprendendo como era o sexo casual na vida adulta, descobri o Tinder... e confesso que ele tinha muitaaaa paciencia comigo pois inúmeras vezes eu ia pra balada, bebia mais que um gambá e no final da noite ligava pra ele e dizia que ia dormir lá. Depois de um tempo nessa dinâmica, chegamos a sair algumas vezes como um casal e ele era até fofo... mas daí descobri que ele tava devendo pensão para um dos 234 filhos dele, foi preso e eu não fui soltá-lo. Nem precisa dizer que ele não ficou muito feliz né? E assim nosso lindo caso de amor findou-se... acho que a última vez que ficamos foi há uns 4 ou 5 anos.
Mas foi bom...ter essa "retomada" com um conhecido.
Por mais que eu tenha me sentido muito insegura, ainda assim eu estava em um ambiente conhecido com uma pessoa familiar...E hoje olhando pra trás percebo o quanto a gente se acostuma com qualquer realidade. Lembro que no começo, após o divórcio eu não sabia o que era "não ter um relacionamento", eu sentia falta de mensagens diárias e hoje eu percebo o quão libertador é ter uma vida além de um relacionamento e não precisar de mensagem ou de alguém para fazer algo e ainda assim transar sempre que tenho vontade. Eu gosto muito do rumo que minha vida tomou e adoro a liberdade que fui conquistando aos poucos... ao longo desses anos, gostei de algumas pessoas, quebrei a cara com outras mas sinto que cada dia mais me torno menos afetada com esse movimento do outro. Gosto do sexo, gosto do estar juntos...adoro dividir uma pizza e assistir um filme mas gosto muito mais da minha liberdade , de não ter que viver a parte chata da relação. Gosto da casualidade mesmo quando ela acontece de forma levemente rotineira, gosto de ter PA... conhecer a pessoa, me identificar mas sem que ele adentre minha vida. Como se eu pudesse viver um universo paralelo, um pequeno respiro enquanto minha vida real acontece...
Esses dias conheci um cara (qualquer dia volto falar dele) e foi como falei pra ele...eu quero sexo casual mas não quero várias primeiras vezes. É muito ruim esse sexo inicial, até que conheçamos a pessoa, entendamos o movimento por mais química que tenha normalmente as primeiras vezes com aquela pessoa é de identificação, sincronização para funcionar realmente. Fora que o papo inicial em qq app, Tinder e afins é um porre... toda introdução, troca de formulários para ver se minimamente existe conexão pois até pro casual é preciso um mínimo entrosamento. E essa etapa é enfadonha, cansativa e chata. Por isso o PA é tão interessante ao meu ver, ele entrega essa casualidade sem essa etapa de sincronização. E não tem como, quanto mais você transa com a pessoa mais entrosamento tem, mais o sexo flui naturalmente mais o orgasmo vem, mais o prazer acontece.
Eu gosto da casualidade premeditada... da intimidade inventada, do afeto dinamico. Eu não quero um monte de primeiras vezes... eu quero o sexo da intimidade com o descompromisso da casualidade. Eu quero o leve, sem regra ou cobrança... eu quero o agora, eu quero um mundo pequenininho de duas pessoas como um comercial no meio do universo da minha vida. Não quero parar o filme...mas preciso do intervalo pra pegar pipoca.

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